25 Novembro 2009

Guia para as estações de comboios Europeias

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Frankfurt Hauptbahnhof

Os comboios estão a renascer. Há poucas dúvidas quanto a isso. De forma crescente, são os viajantes de negócios que estão também a viajar de comboio. Este renascimento levou a uma reformulação em grande escala da função de uma estação de comboios. Já não é apenas um sítio onde se apanha um comboio. Agora, as estações principais da Europa estão a tornar-se destinos por direito próprio.
O sucesso do Eurostar em ganhar tráfego de negócios entre Londres e tanto Paris como Bruxelas bem como as iniciativas como a Railteam (uma associação de sete operadores de alta velocidade) e o desenvolvimento encorajado pela Comissão Europeia de cada vez mais ligações de alta velocidade significa que os viajantes de negócios vão passar mais tempo nos terminais e estações chave da Europa. O que podem esperar quando chegarem lá?
Os espaços lounge são uma parte cada vez mais importante da viagem ferroviária de negócios. A SNCF opera 11 lounges Grand Voyageur na sua rede enquanto a Deutsche Bahn tem 14 espaços lounge para passageiros de primeira classe. Os membros de planos de passageiro frequente operados pelas companhias que compõem a Railteam podem ter entrada em 40 business lounge por toda a Europa.
Há determinados serviços que os viajantes de negócios podem esperar e rede wi-fi é um deles. A estação de St Pancreas em Londres tem cobertura wi-fi gratuita. A SFR tem cobertura na Gare du Nord em Paris mas é necessário comprar um voucher (desde 3 Euro por vinte minutos). A rede wi-fi está também disponível via T-mobile em todos os espaço lounge DB da Deutsche Bahn, embora custe 1,20 Euro por dez minutos. Está disponível rede wi-fi gratuita nas áreas de primeira classe dos espaços lounge de Berlim e Hamburgo.
Para muitos passageiros ingleses, as viagens passam por St Pancreas International. O re-desenvolvimento da estação custou 600 milhões de libras e devolveu ao edifício à sua antiga glória, acrescentando tudo desde um mercado diário e uma loja de brinquedos até um popular bar de champagne e vários restaurantes. A estação tem também dois espaços lounge Business Premier para passageiros Eurostar e Railteam. O espaço lounge tem uma iluminação engraçada, espaçosas cadeiras de pele e os tijolos victorianos expostos.
Lille, um centro da rede Railteam, tem duas estações. Lille Europe tem os serviços Eurostar e TGV, enquanto Lille Flandre disponibiliza os serviços locais. Mesmo entre as duas estações está o Euralille, um centro comercial com 150 lojas, incluindo a H&M e a Mango, muito prático se alguém precisar de ir comprar algo de que se esqueceu para a sua viagem de negócios ou um presente para levar para casa.
A Gare de Lyon em Paris, que serve Lyon, destinos no sul de França bem como na Suíça e Itália, tem talvez o buffet mais glamouroso do mundo. O Train Bleu abriu em 1901 e a sua decoração Belle Époque, incluindo painéis dourados, frisos no tecto e ricos bancos em pele, tem atraído desde então todos desde viajantes regulares até realizadores de cinema e artistas.
Os viajantes de negócios que tenham como destino a Suíça devem saber que as estações de comboios helvéticas são normalmente excelentes sítios para compras, particularmente em horários em que as restantes lojas da cidade estão fechadas. A lei suíça permite às estações fornecer os serviços necessários aos passageiros e muitas desenvolveram pequenos centros comerciais, operando sob a marca da RailCity.
Por exemplo, a estação principal de Zurique - Zurich Hauptbahnhof - tem quase 100 lojas incluindo uma loja de electrónica. Existem também duas salas de conferências que podem ser alugadas para meio dia ou o dia inteiro. A Brasserie Federal também merece uma visita, particularmente se se dispõem de uma hora enquanto se espera pelo comboio. Lá pode-se provar uma vasta selecção de mais de 100 cervejas suíças.
A estação de Corcavin em Genebra tem boas ligações de autocarro e eléctrico à zona das Nações Unidas, ao Laboratório de Física do CERN e a França. Por baixo da estação está um pequeno centro comercial com lojas. Quem tiver tempo pode visitar a loja de música nas traseiras da estação.
A Alemanha dispõe de algumas dos mais invejáveis serviços nas suas estações, compreensível num país onde as viagens de negócio domésticas e o comboio andam lado a lado.
A estação principal de Estugarda é um clássico do modernismo alemão e foi construída no período entre 1914 e 1928. Está no centro da rede europeia ferroviária e será uma estação-chave na linha Magistrale de alta velocidade que se espera que ligue Paris, Estrasburgo, Estugarda, Ulm, Munique, Viena, Bratislava e Budapeste nos próximos dez anos. A estação tem um átrio de bilheteiras espantoso com tectos altos e uma excelente gama de lojas e restaurantes. Entre eles a cadeia de marisco Gosch Sylt, onde se comem excelentes ostras.
A moderna estação principal de Berlim - Berlin Hauptbahnhof - tem porventura o telhado de vidro mais espectacular de todas as estações europeias. A estação abriu oficialmente em 2006 e tem uma vasta gama de lojas e restaurantes. Os amantes de ostras podem ir ao Diekmanns Austernbar, onde podem provar ostras de toda a Europa; também é possível almoçar por 11 Euro..
A estação principal de Frankfurt é uma das mais movimentadas do mundo, dispondo de um grande número de serviços ICE de alta-velocidade. A estação tem uma enorme zona de refeições chamada Markt im Bahnhof, que inclui um bom suchi bar, uma loja de fruta e uma loja de uma cadeia norueguesa com fish & chips.
A estação principal de Colónia é uma das mais importantes na rede ferroviária europeia, dispondo de comboios ICE, Thalys e Intercidades bem como uma riqueza em serviços locais e regionais. Tem também uma localização invejável, com uma vista da impressionante catedral gótica.
A estação tem também um espaçoso espaço lounge DB, no primeiro andar acima do Reisenzentrum, para passageiros de primeira classe, oferecendo bebidas gratuitas de jornais. No caso de se ter tempo, há uma boa livraria - Marzellus - apenas a dois passos da estação na Marzellenstraße.
As viagens de comboio estão a tornar-se mais populares à medida que as empresas reconhecem as credenciais amigas do ambiente bem como os benefícios de produtividade e pontualidade em ir de comboio. Quem disse que a Idade de Ouro do comboio fazia parte do passado?

Mark Frary
The Times, 20 Nov 2009
Tradução: Gonçalo Figueiredo Augusto

19 Novembro 2009

A Honra Perdida de Katharina Blum

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Para ela, o primitivo casamento de Katharina fora uma fuga ao meio terrível da casa dela, e, como depois se viu, assim que Katharina se libertou do meio familiar e do seu imprudente casamento, transformou-se numa pessoa maravilhosa. As suas qualificações profissionais eram indiscutíveis, coisa que ela, Frau Woltersheim, poderia atestar verbalmente e, se necessário, por escrito, uma vez que era membro da Câmara dos Artífices. Com as novas formas que assumia a hospitalidade tanto de entidades privadas como públicas, que agora começava a designar-se como «hospitalidade organizada», abriam-se grandes possibilidades a uma senhora como Katharina Blum, dada a sua formação tanto no que respeita a aspectos organizativos como a cálculo e boa apresentação. Agora, porém, se ela não conseguisse a devida reparação do Zeitung, com a perda do interesse pela casa despareceria também o interesse de Katharina pela profissão.
Neste ponto das suas declarações, Frau Woltersheim foi informada de que não era missão da Polícia nem do Ministério Público «deduzir acusações para perseguir certas formas, sem dúvida repreensíveis, de jornalismo». A liberdade de imprensa não poderia ser levianamente posta em risco, mas ela poderia ficar certa de que seria feita justiça se fosse apresentada uma queixa particular e deduzida acusação contra pessoa ou pessoas desconhecidas por abuso de liberdade de imprensa. Aqui o doutor Korten, jovem agente do ministério público, fez uma defesa quase apaixonada da liberdade de imprensa e do direito ao sigilo profissional, acentuando expressamente que uma pessoa que não andasse em más companhias não poderia dar ocasião a que a imprensa fizesse descrições inconvenientes.

Heinrich Böll, A Honra Perdida de Katharina Blum, 1974

14 Novembro 2009

Thérèse Desqueyroux

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Foto: © Henri Cartier-Bresson

- Então, estás contente?
Era o pai, que parecia enfim aperceber-se de que a filha estava ali. Com um breve olhar, Teresa perscrutou-lhe o rosto sujo de bílis, as faces eriçadas de duros pêlos de um branco amarelado que as lanternas iluminavam vivamente. E disse em voz baixa: "Tenho sofrido tanto... estou sem forças...". Interrompeu-se: para quê falar? Ele não a ouve; já a não vê. Que lhe importa o que Teresa sente? Só isto conta: a ascensão para o Senado, interrompida, comprometida por causa daquela rapariga (todas umas histéricas, quando não umas idiotas). Felizmente, ela já não se chama Larroque; é uma Desqueyroux. Evitado o tribunal, ele respira. Como impedir os adversários de remexerem na ferida? Amanhã mesmo irá ter com o prefeito. Graças a Deus, pode-se contar com o director d'A Charneca Conservadora: uma história de raparigas desmioladas... Pegou no braço de Teresa:
- Sobe depressa; são horas.

François Mauriac, Thérèse Desqueyroux , 1927

09 Novembro 2009

Foi há 20 anos...

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Foi na noite de 9 para 10 de Novembro de 1989 que o Muro de Berlim, construído em Agosto de 1961 para separar Berlim Leste de Berlim Ocidental, caiu. A queda do muro, mais do que simbolizar a queda dos regimes comunistas no Leste Europeu, abriu as portas para a reunificação da Alemanha, retalhada depois da Segunda Guerra Mundial, e para a Unificação da Europa. O muro da vergonha caiu há 20 anos. Hoje, simbolicamente, cairão dominós gigantes de esferovite. Será em Berlim, onde tudo começou a acabar.

08 Novembro 2009

Depois do ensaio

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© Gonçalo Figueiredo Augusto, 2009

Repara na torre ali ao fundo, a afastar-se. A esta hora o sol dá-lhe um aspecto diferente. Daqui parece dourada. Parece maior ao longe do que ao perto. Curioso. Repara bem como ela se ergue entre o casario. Já não chove. Espero que não tenhas ficado aborrecido com a chuva. Cai a cântaros aqui. Não como em Lisboa, que cai sem avisar. Aqui está omnipresente. Ontem gostei especialmente de olhar-te encostado à parede à espera que eu trouxesse as cervejas - ou uma zurrapada a que eles chamam cerveja. Podia quase ver o universo no azul dos teus olhos. A noite passou num instante de resto. Desde o momento em que te sorri - e me sorriste - na Praça dos Leões até à manhã cinzenta que nos recebeu passaram sete horas. Os passos são agora muito mais lentos na direcção da cama. Os sorrisos ainda lá estão, contudo. A manhã está menos fria do que previra. Os primeiros cafés abrem. Servem tostas e galões todos seguidos. Vêem-se raparigas com ar enjoado a ruminar o pequeno almoço. A televisão mostra um muro a cair, numa cidade longe daqui. Os autocarros já circulam, o metro já circula e no entanto quase ninguém na rua. Apenas umas gaivotas que se atrevem a pousar perto de nós. Já te disse quão doce é o teu sorriso? O galão não está nada de especial. Pouco importa. A cama espera-nos. E mais tarde um comboio para a capital. Mas agora ainda é manhã. Ainda não acabou o dia, dado que só acaba quando os olhos se fecharem e o sono vier. Quantas horas são? Oito? Não me admiro. Recordo-me de uma outra manhã, a quilómetros daqui, e de nós os dois - tal como agora - sairmos com a felicidade encerrada cá dentro. Lembras-te? Por vezes sou capaz de sentir nitidamente o cheiro que tinhas nessa noite, nessa manhã. E outras manhã virão. Por agora repara apenas na torre que se afasta, no rio que atravessámos há pouco. É um belo fim de tarde, juro-te. Mas não tão belo como o teu olhar azul.

07 Novembro 2009

E o Porto aqui tão perto

Sim, parece mal que eu tenha passado um ano e meio sem pôr os pés no Porto. Parece muito mal, mas esta visita pretende corrigir isso. O Natal está mesmo a chegar - engraçado como a cada ano que passa o Natal parece chegar mais cedo - e as luzes começam a ser colocadas. Dentro em pouco irão iluminar as ruas todas da Baixa. Há interessantes promoções na Rua de Santa Catarina. É impossível resistir. E é com um par de sacos na mão que me encaminho para a Lapa. Nota: as livrarias do Porto têm preciosidades que nem os alfarrabistas de Lisboa podem orgulhar-se de ter! Vale a pena, vale muito a pena. Afinal de contas, são só três horas e dez de comboio (acrescentadas ultimamente de trinta minutos de atraso). O Porto é já aqui ao virar da esquina...
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O poeta Garrett e a Câmara Municipal - © Gonçalo Figueiredo Augusto, 2009

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A Câmara Municipal e o seu espelho de água - © Gonçalo Figueiredo Augusto, 2009

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A Avenida dos Aliados - © Gonçalo Figueiredo Augusto, 2009

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O Café Majestic - © Gonçalo Figueiredo Augusto, 2009

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Em peregrinação pelas livrarias - © Gonçalo Figueiredo Augusto, 2009

06 Novembro 2009

Porto outra vez

Eis-me no Porto outra vez. Cheguei mais tarde do que o previsto. Agora não há tempo muitas palavras. Vamos mas é comer uma francesinha! No "Piolho", claro...
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Francesinha - © Gonçalo Figueiredo Augusto, 2009

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No Piolho - © Gonçalo Figueiredo Augusto, 2009