29 Abril 2007

Souvenirs de Pologne

4 - A televisão

Pode não ser muito original, mas não há como evitar ver televisão em qualquer país que se visita... mesmo nas horas mais estranhas. A Polónia tem 6 canais de sinal aberto. A estação pública tem 3 canais: TVP 1 - generalista -, TVP 2 - mais alternativo, mas ainda assim com características de generalista - e TVP 3 - canal regional, que emite a partir de cada capital de região, com programação própria. Além do operador público existem também os operadores privados. A televisão Polsat é o maior canal privado. Há também a TVN, a TV 4 (adquirida pelo dono da Polsat) e a Puls.
Os canais têm uma programação mais variada do que as televisões portuguesas, apostando na diversidade. Assim, ao invés da programação horizontal que se encontra em Portugal, há muito para ver na televisão polaca. Não vou descrever tudo. Mas descreverei alguns exemplos.
Há várias telenovelas na televisão. As polacas são as mais vistas e são colocadas em horário decente. As venezuelanas são ostracizadas para o princípio da tarde, onde quase ninguém as vê. A telenovela polaca de maior sucesso é sem dúvida M jak Miłość (traduzindo será A como Amor). Plebania e Klan são outras duas telenovelas com fiéis.
Os filmes são traduzidos oralmente por um só leitor. À semelhança do que acontece nos países do antigo bloco de Leste, há um senhor que lê todas as falas do filme "por cima" do som original dos diálogos das personagens. É irritante, mas na Polónia ninguém se queixa. Tentei ver Melhor é Impossível, que foi exibido na Páscoa, mas desisti...
No entanto, as melhores surpresas da televisão polaca estão reservadas para a madrugada. A Polsat apresenta à 1:00 Dziewczyny w bikini (Raparigas em biquini). Os telespectadores com insónias podem "divertir-se" a assisitir a um jogo com palavras apresentado por uma rapariga em biquini e com um cenário estival como fundo. A rapariga é uma mestre do suspense, e quando já não consegue inventar mais nada para dizer enquanto os telespectadores ligam, passa a língua para humedecer os lábios e muda o pescoço de posição. Um delírio televisivo que dura... até às 5:00! Quais televendas!? Na Polónia é o biquini que manda nas noites!

26 Abril 2007

Imagens

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No dia 24 de Abril, teve lugar na escadaria exterior ao Palácio de São Bento a Serenata Monumental do Fado de Coimbra, integrada nas comemorações do 33.º aniversário do 25 de Abril. Participaram dois grupos estudantis de fados de Coimbra – Fados Despertar e Fados Lacrima.

Não fosse a chuva e teria sido um belo espectáculo. Apesar de tudo foi...

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Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto

25 Abril 2007

Dia da Liberdade

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Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo.

Sophia de Mello Breyner Andresen





Cartaz MFA-Povo:
© João Abel Manta
Cartaz Salazar-Povo: Gonçalo Figueiredo Augusto (a partir de João Abel Manta)
Foto:
© Eduardo Gageiro

24 Abril 2007

"De Profundis, Valsa Lenta" de José Cardoso Pires

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«Com esta escrita descobri uma coisa em que nunca tinha pensado,
é que o bem mais precioso do homem é a memória
José Cardoso Pires


De Profundis, Valsa Lenta
é uma espécie de testamento literário de José Cardoso Pires, tendo sido o penúltimo livro que editou - o último foi Lisboa, Livro de Bordo. Não se pode chamar romance, nem poema, nem crónica, nem memória. É antes um livro de «desmemória» ou uma memória da não memória. Nele, Cardoso Pires relata a fragmentação do Eu após um acidente vascular cerebral que o leva ao internamento no Hospital Santa Maria (HSM). A prosa é crua, despojada, e o livro esmaga-nos desde o princípio. E todavia é pequeno, pequeníssimo. Lê-se numa hora e deixa-nos sem palavras a vida inteira. Neste livro deambulamos no interior de nós mesmos, tal como esse «outro Eu» deambula pelos corredores do HSM a decifrar a escrita cuneiforme com que as frases lhe surgem escritas, ou a ténue familiaridade dos rostos, ou a antiguidade dos gestos, com uma virgindade imensa no olhar, como quem reaprende passo a passo o mundo. Como António Lobo Antunes, grande amigo de Cardoso Pires, escreveu sobre este livro, ele oferece-nos «o espanto de como, com aparentemente tão pouco, se levanta um mundo.» Nem mais. O livro é prefaciado pelo Prof. João Lobo Antunes, neurocirurgião no HSM.

De Profundis, Valsa Lenta está editado nas Publicações Dom Quixote.

Sobre o autor
José Cardoso Pires nasceu a 25.Out.1925 em São João do Peso (Vila de Rei), onde viveu até se mudar para Lisboa, ainda criança. Frequentou o Curso de Matemáticas Superiores, mas não chegou a concluí-lo. Foi oficial da Marinha Mercante (por pouco tempo), e realizou esporadicamente trabalhos como jornalista e redactor de publicidade até se dedicar definitivamente à escrita. A sua experiência da vida boémia, da rua e da noite, resultou num conhecimento que transpôs para alguns dos seus livros. A sua obra literária é imensa, tendo sido por vezes adaptada ao cinema e ao teatro. Em 1997 sofreu uma acidente vascular cerebral do qual recuperou, escrevendo De Profundis, Valsa Lenta. Morreu a 26.Out.1998, após ter sofrido um novo AVC.

23 Abril 2007

Souvenirs de Pologne

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3 - O Museu de Literatura

Encontrar um museu aberto numa segunda-feira é obra, ainda mais se for um museu para mim tão caro como o Museu da Literatura. O museu chama-se Adam Mickiewicz e naquela altura, para além da exposição permanente dos objectos do referido senhor, havia uma exposição temporária chamada «Antologia Kota» (Antologia do Gato, até 7 de Setembro) e, na comemoração dos 150 anos do seu nascimento, uma exposição sobre Joseph Conrad. A entrada no museu custa 4 zł (mais ou menos 1 €) e vale a pena, muito por causa de Conrad e da Antologia do Gato.

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A exposição sobre Conrad tem coisas interessantes, apesar de ser pequena e de não estar traduzida em inglês. Está lá o principal e está muito bem: num pequeno espaço condensou-se o essencial do universo deste escritor de origem polaca que, pode bem dizer-se, foi um dos maiores do século XX: as suas viagens, o colonialismo, a barbárie, a morte...
De seguida, somos levados à Antologia do Gato, uma exposição temporária sobre o gato na literatura. Muitos escritores tinham gatos e muitos gatos foram testemunhas da melhor criação literária, surgindo mesmo em determinadas obras dos seus donos, poetas ou romancistas. O gato é pois um animal literário por excelência, companheiro de escritores e de personagens, viajante em romances ou objecto de versos, personificação de qualidades humanas ou de delírios de animal. É possível ver fotografias de alguns escritores retratados com os seus gatos, como Szymborska, Gombrowicz (na foto) ou Hemingway.

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E chegamos a Mickiewicz, o grande poeta polaco. Mickiewicz nasceu na actual Lituânia, no seio de uma família nobre e é considerado o maior poeta do Romantismo, sendo a sua obra mais famosa o poema épico Senhor Tadeusz (Pan Tadeusz, no original), onde é feito um retrato da nobreza polaca durante o período de Napoleão. Há uma história de amor e, pelo meio, a divisão da Polónia pelas potências da altura. O museu exibe pinturas e objectos contemporâneos do escritor - o mais comovente para mim foi a pena com que Mickiewicz escrevia - recriando uma casa polaca dos tempos do Romantismo. O que tem realmente menos piada no museu são as senhoras vigilantes da salas, que adoram perseguir os visitantes na sua compreensível língua materna. é bom estar com os braços bem quietos atrás das costas, pois correm o risco de, ao apontar algo numa parede, um dos alarmes disparar e aparecer uma das senhoras com olhar acusador, como se quiséssemos levar para casa um retrato de um nobre polaco os os kontusz com que eles adornavam as suas imensas barrigas.
De qualquer das formas, quem passar por Varsóvia a uma segunda-feira, não deixe de visitar o museu. Afinal de contas, um museu aberto a uma segunda-feira é um achado. E sobre literatura, nem se fala...

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Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto e Piotr Jakubiec

21 Abril 2007

Imagens

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«Que giro que estou com o colar de âmbar!»

Foto: Gonçalo Figueiredo Augusto

20 Abril 2007

Souvenirs de Pologne

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2 - A Universidade de Varsóvia


Não é algo que seja muito natural fazer, mas já que passei lá perto, resolvi visitar a Universidade de Varsóvia. O aspecto é dos melhores, sobretudo para quem está habituado a uma Cidade Universitária dos anos 50, com aquele kitsch do Estado Novo. A Universidade de Varsóvia está instalada em edifícios que mantiveram o seu aspecto original do século XVII. Obviamente que nada daquilo é original e parece novo. Em certa medida é-o. Nem todas as faculdades estão instaladas ali, mas a maioria está. Há vários pavilhões repartidos por todos os cursos e o edifício da Reitoria - o palácio Kazimierzowski. Já que estava lá, tentei visitar o departamento onde se ensina Português. Na Polónia podem-se aprender imensas línguas na Universidade, coisa que em Portugal não é totalmente possível.

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No departamento de iberystyka ensinam-se - como o nome faz imaginar - as línguas faladas na Península Ibérica, isto é, Português, Castelhano, Galego, Catalão... O departamento não fica numa parte tão monumental como os outros, mas foi boi chegar lá e ver três meninas sentadas num sofá com as bandeiras de Portugal, da Espanha e do Brasil espetadas na parede e foi bom ler num cartaz que se vai organizar um grupo de música portuguesa. Apesar de tudo é mais graças à boa vontade de muitas pessoas e menos à do Instituto Camões que a cultura e a língua portuguesas continuam a ser divulgadas, mas adiante. O campus universitário da Cidade Velha tem um ambiente interessante, já que toda a gente sai e se senta nos bancos e nos jardins, conversam, apanham sol. Parece-me que na Cidade Universitária de Lisboa as pessoas estão muito mais fechadas nas suas faculdades e não há um sítio comum de encontro de todos os estudantes. Para os interessados em Erasmus ou Universidades de Verão, o site da Universidade de Varsóvia tem uma versão em inglês. Os polacos que frequentem Universidades públicas têm garantido um ensino de qualidade e gratuito. Contudo, os estrangeiros que pretendam estudar lá comecem a pôr de parte 2000 a 5000 €, pois é quanto a propina custa para cidadãos não-polacos.
Correcções, impressões e outras observações... façam favor de comentar.

Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto e Piotr Jakubiec

19 Abril 2007

Onda Shakespeare em Lisboa


A Tragédia de Júlio César

Teatro São Luiz
Até 22 de Abril

4.ª a sábado às 21h00 e domingo às 16h00

Fotos: © José Frade; Teatro S. Luiz

18 Abril 2007

UEFA Euro 2012

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Fotos: © UEFA Todos os direitos reservados; Bogdan Borowiak (PAP)

A organização da fase final do Campeonato da Europa de Futebol UEFA 2012 foi atribuída à candidatura conjunta da Polónia e Ucrânia.
Depois de Portugal ter organizado o Campeonato da Europa em 2004, é agora a vez do Leste receber um grande evento de alta competição.

Quem quiser, pode dar uma vista de olhos nos estádios que serão construídos ou remodelados para o Euro 2012. A final será no "novo" estádio olímpico de Kiev.

17 Abril 2007

Souvenirs de Pologne *

1 - A comida

Haverá poucas coisas que me encantem tanto como a comida polaca. Nas duas visitas - que ao todo somam mais de um mês - pude provar um pouco de tudo e ainda pratos tradicionais do Natal e da Páscoa.
Começando pelas sopas, há que realçar que na Polónia elas não são tão consistentes como em Portugal, pelo contrário. Poder-se-ia dizer que são caldos... mas são caldos bons. Barszcz czerwony (barszcz vermelho - na foto abaixo) encabeça as minhas preferências. É uma sopa de beterraba, relativamente simples de fazer e que pode ser bebida acompanhando croquetes ou outros pastéis. No prato pode comer-se com arroz ou massa. Há imensas sopas polacas, mas falaremos apenas de mais duas. Żurek (na foto do final) é uma sopa mais gorda, feita com salsichas polacas e alguns legumes. Finalmente, a sopa de cogumelos condensa em si a enorme variedade destes fungos nas florestas polacas.
Há vários pratos típicos na Polónia. Talvez pierogi (na foto acima) seja o mais famoso. Trata-se de pastéis cozidos com recheios muito variados que vão desde cogumelos a couve fermentada ou a uma mistura de batata com requeijão de vaca (ruski). Pode comer-se com manteiga derretida. Mas há muito mais. Gulasz é um prato de carne... com pedaços de uma carne qualquer e muito óleo. Bigos mistura carne de vários tipos com couve fermentada. Ryby po Grecku (peixe à grega) é uma mistura de filetes de peixe com cebola e muita cenoura. E, para terminar, Devolay - peitos de frango panado recheados com queijo. De sublinhar uma salada que vai bem com quase tudo: miseria. Trata-se de uma salada de pepinos às rodelas com natas e cebola picada. Uma delícia!
Chegámos às sobremesas. Como os bolos já foram falados - e muito falados - referirei apenas um dos que não foram citados: Szarlotka - uma espécie de tarte de maçã que é deliciosa acompanhada de gelado e natas. Os crepes recheados com requeijão de vaca são também muito bons e Pączek - uma espécie de bola de Berlim recheada com doce (o recheio de doce de ameixa é muito bom).


Aceitam-se mais sugestões gastronómicas e/ou correcções de entendidos na matéria. Abre-se espaço para as vossas recordações da Polónia.


* Souvenirs de Pologne é o título de um livro de Witold Gombrowicz (1904-1969), que reúne pequenos textos escritos pelo autor no princípio da década de 60 para a Rádio Europa Livre de Munique, mas que jamais foram difundidos. Encontra-se editado em francês pela Gallimard.

Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto e Piotr Jakubiec

16 Abril 2007

Imagens

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De volta a Portugal: praia de Carcavelos.

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Fotos: Piotr Jakubiec (com o seu potente telemóvel!)

15 Abril 2007

Na razie Polsko!

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No dia do regresso a Portugal sobram ainda alguns minutos para falar de mais três cidades polacas, perdão, duas cidades e uma aldeia um pouco perdida no mapa.
Comecemos pela aldeia: Kozłówka. Supostamente eu deveria saber como se chega lá, mas como não era eu que ia a conduzir, só posso dizer que fica perto de Lublin. O propósito da visita é um só: o palácio Zamoyski. Mas isto precisa de ser explicado. O palácio pertenceu à família Zamoyski até aos anos 40. Como fica perdido no mapa não foi bombardeado e portanto é uma pérola dos palácios aristocráticos polacos, sendo porventura o mais bem preservado. Foi nacionalizado durante o regime comunista e ainda hoje a família tenta reavê-lo nos tribunais. O palácio tem uns belos jardins de estilo francês a envolvê-lo, mas - e aqui reside o principal - só pode ser visitado em grupo e com marcação. Portanto, se não levarem uns 30 amigos atrás, esqueçam o palácio. Mas não deixem contudo de lá ir. Isto porque um edifício lateral foi transformado num museu de arte socialista. E foi exactamente este museu que me levou a Kozłówka. O museu é muito pequeno mas vale a pena. Reúne cartazes, estátuas, objectos quotidianos e outros acessórios dos tempos do regime comunista. Vale a pena lá ir.

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A cidade que se segue é Sandomierz. Sandomierz já fica noutra região - Santa Cruz (Świętokrzyskie em polaco), cuja capital é Kielce - e foi uma das cidades mais importantes da Polónia, quer pela sua situação geográfica quer pela relação com o rio Vístula. Há muito para ver em Sandomierz. A catedral podia ser um dos primeiros pontos de visita mas fecha cedo demais à sexta-feira e tive que me ficar pela fachada... bonita, de qualquer modo. A cidade preserva muitos dos seus edifícios medievais, o que a torna encantadora. E tem ainda mais: sob o chão da cidade estão escavadas galerias que funcionavam há muitos séculos (entre os séculos XIII e XVII) como armazéns de mercadorias. Só recentemente foram redescobertas estas passagens subterrâneas, que conservam em muitos pontos a sua estutura original. O museu de arte-sacra da cidade alberga várias relíquias, imagens e pinturas. De realçar uma pintura de Caravaggio, que funciona como cartão de visita do museu. Nele também se podem ver as luvas da rainha (Santa) Jadwiga - mulher do rei Władisław Jagelão - que, agradecida, ofereceu as suas luvas aos camponeses que a ajudaram a libertar a sua carruagem da neve.
Saindo de Sandomierz rumo a Kazimierz, pode seguir-se por uma estrada secundária e viajar lado a lado com o Vístula. A paisagem é deslumbrante e também vale a pena atravessar o rio San num barco que faz o transporte dos veículos.

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E assim se chega a Kazimierz - Kazimierz Dolny, note-se, e não o bairro judeu de Cracóvia, embora a cidade também tenha um passado judeu. A cidade prosperou com o comércio nos séculos XVI e XVII, preservando ainda uma lindíssima arquitectura renascentista. Ao anoitecer, não há sítio melhor para estar do que no topo do Monte das Cruzes, uma reconstituição do monte do calvário em agradecimento por a cidade ter sido poupada a uma peste que assolou a região. Daí pode ver-se a cidade e o rio Vístula... e um pôr-do-sol magnífico.
Tudo começa e acaba no crepúsculo.

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O palácio Zamoyski, em Kozłówka.

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Praça central em Sandomierz.

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Travessia do rio San.

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Um pormenor da praça central de Kazimierz Dolny.

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O crepúsculo.
(Kaziemierz Dolny)


Hoje às 21:45 parte o avião de regresso a Lisboa. Muitas coisas ficaram por dizer, nomeadamente sobre Varsóvia, que quase passou despercebida, mas convenhamos que há coisas bem mais divertidas para fazer numa visita à Polónia do que passar o tempo todo a escrever num blog. Por isso, para todo o rol de coisas que ficaram por dizer, haverá um espaço, ou dois, na verdade, porque a Polónia é grande demais para caber em meia-dúzia de frases e fotografias. Para a Polónia, na razie (até já) e para a família Jakubiec, dziękuję bardzo.

Vemo-nos em Lisboa, então.


Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto e Piotr Jakubiec

12 Abril 2007

Olsztyn e Malbork

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Tempo agora para falar de mais duas cidades polacas: Olsztyn e Malbork. São óptimas para se visitarem num fim-de-semana de uma penada. Olsztyn é capital da região de Warmia-Masuria ao passo que Malbork fica na região da Pomerania, no limite com Warnia-Masuria.
Comecemos por Olsztyn. Embora me tenham aconselhado outras cidades para visitar em vez de Olsztyn fui lá e não fiquei arrependido. Há imensos lagos nos arredores, o que torna a cidade excelente para umas férias de Verão. Mas não estamos no Verão e por sinal estava frio no norte naquela altura. A cidade tem vários objectos de visita mas o primeiro que sugiro é uma gelataria. Chama-se Cocktail e tem gelados únicos, feitos na loja, à base de requeijão de vaca. Quem estiver em Olsztyn não deixe de lá ir: fica na Ulica 11 Listopada (rua 11 de Novembro). Depois dos gelados, pode visitar-se a Cidade Velha. Há imenso para ver, desde a grande porta gótica do século XIV, igrejas - como a Catedral de S. Jacob -, o museu, planetário, etc. E é muito bom passear nas ruas de Olsztyn ao entardecer, ver a arquitectura característica da cidade, passar na ponte sobre o rio Łyna - ponte de São João Napumoceno - passear na rua Prosta... Olsztyn foi durante muito tempo uma cidade alemã - Allenstein - e essas influências são bem visíveis na arquitectura da cidade. Depois de tudo isto há sempre um centro comercial para sentir um pouco o pulso à cidade e fazer umas compras. Alfa Centrum é o nome, e não fica nada longe da Cidade Velha. Curiosidade: em 1886 foi fundado em Olsztyn o primeiro jornal de língua polaca - Gazeta Olsztyńka. Ainda existe e quem tiver, como eu, a tara de coleccionar jornais das cidades que visita pode comprá-lo. De referir ainda uma personalidade com honras de estátua em Olsztyn (e um pouco por toda a Polónia): Copérnico. Ele foi administrador de Olsztyn e viveu lá 5 anos, tendo morrido em Frombork, que não fica muito longe de Olsztyn.

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De novo no comboio, rumamos a Malbork. Trata-se de uma cidade muito pequena cujo principal ponto de interesse é o castelo da Ordem Teutónica. E é-o com toda a justiça. O castelo data do século XIII e é a maior fortaleza gótica da Ordem Teutónica na Europa. Obviamente, a cidade cresceu à volta do castelo. O castelo só pode ser visitado com guia, o que obriga os visitantes a esperar meia-hora e a ouvir detalhes aborrecidos sobre os animais representados em cada capitel das colunas das janelas. O castelo é grande a visita corre risco de prolongar-se. O segredo é admirar os pontos mais interessantes, como os aposentos das pessoas importantes da Ordem e alguma arquitectura mais característica, saltitando de grupo em grupo. Quase todos os grupos eram de reformados alemães ansiosos para fotografar castelos e para se maravilharem com portas góticas. Cerca de metade do castelo foi totalmente reedificado depois da Segunda Guerra Mundial, o que explica o óptimo estado de conservação e o facto de muitas salas estarem despidas de mobiliário. Pouca coisa restou. Mas vale a pena ir ao castelo e ver tudo, mesmo que vos tomem por alemães e tenham que exclamar Wunderbar! diante de cada tijolo.

Mais fotos na versão inglesa. Já disse isto antes, não disse?


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A estátua de Copérnico em Olsztyn.

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With love from Olsztyn.

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(estação de comboios de Malbork)


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Pormenor da "Cidade Velha" de Malbork.


Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto e Piotr Jakubiec

09 Abril 2007

Três Cidades: Sopot e Gdynia

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Concluindo a crónica da visita às Três Cidades, seguimos, depois de Gdańsk, para Sopot. As Três Cidades estão ligadas por uma linha de comboio que funciona mais ou menos como a linha de Cascais... excepto na validação dos bilhetes. De facto, neste aspecto, funciona como o eixo norte-sul, ou seja: NUNCA se esqueçam de validar o vosso bilhete antes do início da viagem. Se tiverem o azar de não entender sequer onde se valida o bilhete - já que as maquinazinhas passam muito despercebidas de tal modo parecem velhas e horríveis - preparem-se para desembolsar cerca de 35 zł no caso de aparecer algum indivíduo a gritar sem entenderem muito bem que ele quer. A probabilidade de eles falarem inglês é... fraquinha. A probabilidade de serem simpáticos é nula.
Adiante, Sopot é uma cidade famosa pelas suas termas, tendo sido desde o século XVI um destino de férias para as famílias abastadas de Gdańsk. Hoje, passadas as décadas de declínio que chegaram com a Segunda Guerra Mundial e o regime comunista na Polónia, é de novo um destino na moda para os polacos endinheirados. Políticos, artistas e outros famosos têm casa em Sopot e são presença habitual no Verão. Em suma, Sopot é um misto de Estoril e Vilamoura. Nos anos 70 abriram novos hotéis e estâncias termais e, mais tarde, a cidade ganhou nova vida com a abertura de vários espaços de diversão nocturna, o Festival Internacional da Canção de Sopot, o Festival Top Trendy, etc.
Sopot é também conhecida pelo Grand Hotel, local chique onde várias figuras históricas estiveram hospedadas, e pelo maior molhe de madeira do mundo, com cerca de 500 metros,de onde se avista a baía de Gdańsk e, com jeitinho em dias bons, um bocadinho do Hel. Pode dar-se um belo passeio pelo molhe e pela praia bem como pelas ruas da cidade ao entardecer. Chamada de atenção para uma obra arquitectónica surreal: a Krzywy Domek (Casa Torta). Depois dos passeios, ala para Gdynia.

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Gdynia é uma cidade muito recente que nasceu e cresceu muito à custa do porto, que é aliás a grande atracção da cidade. Nele podem visitar-se o ORP Błyskawica (um navio que serviu a Marinha Polaca na Segunda Guerra Mundial e que é hoje conservado como museu no porto de Gdynia), o Dar Pomorza (um antigo veleiro que é hoje também um navio museu em Gdynia) e o Dar Młodzieży (um dos maiores veleiros do mundo que serve como navio-escola - na foto em baixo). No porto de Gdynia pode ter-se uma fantástica vista do mar Báltico e, nas lojinhas que lá existem, podem comprar-se várias miniaturas de navios a preços bem convidativos, incluindo dos navios Pogoria e Fryderyk Chopin, que estiveram recentemente no porto de Lisboa.

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Como de costume, mais fotografias na versão inglesa.

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O comboio que circula nas Três Cidades.

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Fado em Sopot.

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O porto de Gdynia.

fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto e Piotr Jakubiec

08 Abril 2007

Páscoa

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Resumindo um pouco o dia de ontem - o Grande Sábado (Wielka Sobota) - há duas ou três coisas a reter. A primeira é a Święcenie: uma bênção de cestos com alguns bolos típicos e outras iguarias que se comem no dia de Páscoa , além dos tradicionais ovos pintados. É uma cerimónia rápida e que faz parte da tradição da Páscoa polaca. E isto leva-nos aos ovos pintados. No sábado de manhã cozem-se ovos e preparam-se as cores em frascos, onde se mergulham os ovos durante uns minutos. É fácil e é divertido. O terceiro aspecto importante, não esquecendo que não se come carne até ao dia de Páscoa, é a missa. Há missas por tudo e por nada na Polónia. Para os que não querem ir à missa no domingo de manhã, há uma missa no sábado à noite: a Vigília Pascal, tal como em Portugal, pelo que julgo saber. Portanto, a igreja - a tal igreja do convento de freiras beneditinas do Sacramento - encheu numa noite gélida. Estavam pouco mais de 2ºC em Siedlce. A missa começou às 22h e durou até depois da meia-noite numa alegria celestial. Começou com uns cânticos desafinados de um acólito que não dizia duas frases no mesmo tom. Seguiram-se três ou quatro leituras da Bíblia, canções das freiras e o longo sermão. É importante dizer que não havia espaço para um alfinete na igreja e que as freiras e os padres dividem o protagonismo na missa. São permitidos às irmãs beneditinas os mais marcantes momentos musicais, em que elas rejubilam a escalonar Aleluias e a declamar a litânia a todos os santos. E há os momentos cedidos aos padres para cantarem orações de um modo horrivelmente desafinado. O momento alto é uma pequena procissão que sai à rua apenas para voltar a entrar na igreja e enviar todos para casa na paz do Senhor. Amén.

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O domingo de Páscoa começa com o tradicional pequeno-almoço, em que a família se reúne para provar finalmente iguarias... de carne. Há vários pratos a realçar. Começa com os produtos abençoados no dia anterior, neste caso ovos, pão e fiambre. Seguem-se saladas, fatias de carne, salame, fiambre e salsichas e patés. Como se vê, nada de peixe. Bebe-se chá bem quente. De sublinhar dois pratos. O primeiro é uma gelatina com frango e cenoura chamada Galaretka. Come-se regada com sumo de limão. O segundo não é bem um prato, mas uma pasta para barrar à base de rábano picante, misturado ou não com beterraba. Chama-se chrzan e os polacos gostam muito embora eu não entenda porquê. No final vêm as sobremesas: Babka, Pascha, Mazurek e Makowiec, devidamente regados com vodka ou, por simpatia, vinho do Porto. Falta ainda referir os cordeirinhos doces que se comem neste dia, para celebrar o cordeiro de Deus, que voltou à vida. Aleluia! Wesołego alleluja!

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O cesto abençoado no Grande Sábado.
Esses dois ovos fui eu que pintei!

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O cordeiro da Páscoa.

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Chrzan simples e com beterraba (ćwikła).

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Galaretka

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Pascha

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Assim se pintam os ovos da Páscoa.


Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto e Piotr Jakubiec

06 Abril 2007

Sexta-feira Santa

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Sexta-feira Santa é dia de preparativos para o domingo de Páscoa. Isso incluiu passar uma bela manhã gastronómica e, claro, ir à missa. Mas comecemos a revelar um pouco da Páscoa polaca.
Na Sexta-feira Santa - aqui chamada de Grande Sexta-feira (Wielki Piątek) - não se come carne. O dia não é feriado e por isso as pessoas passam um dia mais ou menos normal. A missa é às 15h e há todo um conjunto de canções tristes e preces melancólicas até se fazer fila para beijar o crucifixo e para comungar. Há uma custódia que passeia por entre a multidão e há uma encenação do sepulcro de Cristo. Assisti à missa numa igreja de um convento beneditino (na foto). Portanto havia freiras atrás do altar, protegidas da comunidade por uma grade. Como estamos na Polónia é natural observarem-se cenários como o da fotografia ao lado, isto é, a igreja a abarrotar de pessoas com a missa a prolongar-se para a rua. Foi na rua que comecei a assitir à missa, mas foi dentro da igreja que terminei, fruto das movimentações para a beijar a cruz.
Quanto à manhã gastronómica, o trabalho foi árduo mas frutífero. Duante a labuta houve tempo para ouvir na rádio Trójka (a Antena 3 aqui do sítio) uma Mariza, uma Cesária Évora, umas músicas cubanas e uma Dulce Pontes para terminar. Nada mau. Mas resumindo: de 3 horas passadas na cozinha saíram quatro bolos. Mazurek, Pascha e Babka, são três bolos tradicionais da Páscoa na Polónia; Mazurec é mais tradicional do Natal, mas ninguém leva a mal a "pascoalização" do bolo. Babka e Mazurek fazem-se com uma massa semelhante, à base de leite e fermento de padeiro, ao passo que a Pascha é feita com requeijão de vaca, passas e frutos secos. Há ainda a realçar os animais de açúcar que se vendem por esta altura, nomeadamente cordeiros - «cordeiro de Deus que tira os pecados do Mundo». À noite não há qualquer procissão, pois o enterro do Senhor teve lugar na igreja. A Via Sacra tem transmissão em directo na televisão pública... Há filmes bíblicos na televisão... É Páscoa.
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Da esquerda para a direita: Makowiec, Babka e Mazurek

Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto

05 Abril 2007

Três Cidades: Gdańsk

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Comecemos pelo ponto alto dos últimos 2 dias: a visita a Gdańsk, Sopot e Gdynia. As três cidades formam uma grande metrópole chamada... Três Cidades ou Trójmiasto, no original, que tem no seu conjunto mais de 1 000 000 de habitantes.
Começando em Gdańsk há meia dúzia de coisas a ter em conta. A primeira é a maravilhosa Cidade Velha e toda a sua magnífica arquitectura. Há a rua Długa que nos conduz pela Cidade Velha e nos leva à Praça onde se pode ver a famosa fonte de Neptuno - agora também famosa pela púdica barbatana que lhe tapa os genitais - e a Casa Senhorial de Artus e há o porto de Gdańsk, outra imagem de marca, com a sua grua medieval e os cruzeiros que é possível fazer. Há muito mais para ver, nas ruas da cidades: os vendedores de ambar, os vários museus e igrejas - como a de Nossa Senhora, São Nicolau ou Santa Catarina -, o grande moinho de água, etc.
Mas hoje em dia, Gdańsk é muito mais do que uma cidade monumental. Foi lá que nasceu o Solidariedade (Solidarność) e foi em 1980, no estaleiro da cidade - Estaleiro Lenine, na altura - que começou a queda do regime comunista na Polónia. Lech Wałęsa foi o rosto do movimento e, mais tarde, tornou-se no primeiro presidente da Polónia democrática. O Museu do Solidariedade ainda não pode ser visitado por estar a receber obras profundas de melhoramento, mas podem ser vistos no exterior fotografias dos momentos cruciais de 1980 bem como outras peças, como um pedaço do muro de Berlim que foi oferecido à cidade ou um dos carros militares destacados para o local. Há vários memoriais aos que tombaram pela liberdade e, na entrada, três cruzes gigantescas prestam homenagem aos trabalhadores mortos em 1970, durante manifestações contra o regime. Esta homenagem foi uma das exigências dos trabalhadores em 1980.
Último conselho para quem pretende comer iguarias polacas de forma barata e em sítios bem típicos: Bar Mleczny. São uma espécie de refeitórios com preços muito baixos e onde as refeições são muito bem servidas e todas compostas por pratos típicos da Polónia. Ainda há estabelecimentos abertos em várias cidades polacas e são uma boa opção para refeições em viagem.

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Para quem ainda não consultou, a versão inglesa tem várias fotografias.

Fotos: Gonçalo Figueiredo Augusto e Piotr Jakubiec

02 Abril 2007

Varsóvia e o Papa

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Finalmente chegou a altura de rever Varsóvia. Da última vez, há mais de um ano, estava branca, serenamente branca. Agora foi muito diferente. De uma penada voltei a Varsóvia e num dia especial para os polacos: o dia do 2.º aniversário da morte do Papa João Paulo II. Já iremos ao acontecimento do dia.
Antes, tempo para visitar sítios antigos e que agora surgem coloridos: a pastelaria Blikle foi a primeira paragem. A Blikle é um encanto e vale muito a ena provar um ou dois dos fantásticos bolos que se fazem por lá. Deixo duas sugestões: siernik e pączek.
A Universidade de Varsóvia não fica longe. É um deleite. Quando comparada com a Universidade de Lisboa, onde sou aluno, não há muitas dúvidas de onde se está melhor. O departamento de iberystyka (onde se ensina Português, Catelhano, Galego, etc.) fica num dos piores sítios do campus e bem se pode queixar.
Subindo em direcção à Cidade Velha há tempo para ver o Palácio Presidencial e a Praça Zygmund III e o seu castelo (completamente arrasado durante a Segunda Guerra Mundial). Conselhos para quem quiser visitar o Museu da Literatura, na Praça da Cidade Velha (com a estátua da sereia): ponham as mãos atrás das costas e não levantem os braços. A razão é simples: há células sensíveis ao movimento que disparam o alarme muito facilmente e ninguém vai querer ter uma funcionária imensa à frente a gritar Gdzie dotknąłeś? (onde é que tocaste?), pois não?
Antes do momento alto do dia, ainda houve tempo para passear no distrito de Praga - a pé, de autocarro e de eléctrico - e de visitar o novíssimo Centro Comercial no centro de Varsóvia: o Złote Tarasy. O edifício tem uma arquitectura muito bem conseguida, com uma cobertura ondulada e transparente.
Finalmente, chegou a hora do concerto em homenagem a João Paulo II. Um dos palcos estava montado em frente ao Palácio da Ciência e Cutura e juntou várias centenas de pessoas. Todas as celebrações tiveram direito a transmissão em directo na TVP e até o primeiro-ministro polaco marcou presença no concerto. Foi interpretado um repertório antigo de músicas alusivas à Paixão, tendo como cenário crucifixos e um Cristo flagelado. Havia muitas bandeiras e muitas velas. Mas sobretudo havia muita gente que recordava o Papa simplesmente como JP2.

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Fotos: Piotr Jakubiec

01 Abril 2007

Domingo de Ramos

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Haverá alguma coisa mais tradicional para se fazer na Polónia num Domingo de Ramos do que ir a uma missa? É possível que sim, mas eu fui à missa na mesma. É preciso sublinhar que só vou a uma missa quando estou na Polónia, o que deve ser um motivo de celebração para muita gente que espera ansiosamente o dia da minha redenção.
No Domingo de Ramos os polacos costumam comparecer à missa com uma espécie de espigas, plumas coloridas e flores. Não há palmeiras por estas bandas e portanto qualquer ramo serve. A Semana Santa obriga a várias deslocações à igreja mas na Polónia as igrejas ficam repletas, quer seja Semana Santa ou não.
O dia estava óptimo e permitiu um passeio no parque da cidade. Foi a primeira vez que o vi sem neve. É aliás a primeira vez que vejo a Polónia sem neve. Tem cores, tantas quanto o Domingo de Ramos.

Foto: Piotr Jakubiec