Há dia felizes. E há outros que nunca vão chegar a sê-lo. A três dias do anúncio dos galardoados com o Prémio Nobel da Medicina 2011, Ralph Marvin Steinman, Professor na Universidade Rockefeller em Nova Iorque, sucumbiu ao cancro do pâncreas com que havia sido diagnosticado há quatro anos. A morte é uma puta, já todos o sabíamos. O Prof. Steinman, nascido em Montreal (Canadá) há 68 anos, sabe-o agora melhor do que todos nós. Ao conhecer o diagnóstico, desenhou ele próprio uma terapêutica com células dendríticas, aplicando descobertas que ele próprio fizera nos anos 70 sobre o papel destas células no controlo da imunidade adaptativa através da activação de células T. Descobertas essas reconhecidas hoje pelo Comité de Estocolmo. Jules Hoffman (Luxemburgo) e Bruce Beutler (EUA) receberam a outra metade do Prémio pelas descobertas sobre a activação da imunidade inata (receptores proteicos (TLR - Toll-like receptors) que, reconhecendo microrganismos, são capazes de activar a resposta imunitária inata). Steinman não estará em Estocolmo no dia 10 de Dezembro para receber o prémio. Podia ter sido um dos dias mais felizes da sua vida. Mas não foi. Nem nunca chegará a sê-lo.

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