Quando Albert Nobbs se estrear nos cinemas em Portugal no início de 2012, todos irão compreender a por que é que Glenn Close vai figurar entre as nomeadas para o Oscar de Melhor Actriz, 23 anos depois da sua última nomeação. Será a sexta nomeação da actriz... e provavelmente virá (pela sexta vez) de mãos a abanar. Não por culpa da interpretação no filme: se Albert Nobbs vale a pena é pelo corpo que Glenn Close lhe dá. Albert trabalha há décadas como mordomo num hotel de Dublin, fazendo-se passar por um homem. Há uma mulher que todas as noites despe o papel de mordomo e conta as gorjetas anotando tudo religiosamente num caderninho. Sob o chão do seu quarto está uma fortuna e Albert sonha abrir uma tabacaria. Mas talvez seja tarde demais para libertar-se da prisão que construiu para si mesma. Há um novelo que prende Albert e do qual ele não se pode soltar. Há uma vida que nunca foi vivida, que foi constantemente adiada e que agora corre o risco de ficar para trás. Glenn Close tem provavelmente o papel mais desafiante da sua carreira, mas a concorrência é de peso e tal como Albert Nobbs poderá muito bem ver a oportunidade passar. A vida é demasiado curta para fingirmos sermos quem não somos, ouve-se a certa altura no filme. É uma excelente mensagem. Ficará pelo menos isso.

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